AMOR E ILUSÃO
O que é que eu faço
para amenizar minha dor,
que a cada dia me sufoca o peito
e da vida me tira o sabor?
Eu amei sem pensar
mas agora vou jurar
nunca mais me entregar
pra quem não sabe amar.
Como eu pude me iludir assim?
Parece que a dor jamais terá fim.
Você chegou me fazendo mil promessas,
mas prometi ao meu coração
que nunca mais caio numa dessas.
Você não tem coração.
Me iludiu a troco de nada
só por um pouco de emoção.
Enfim, fui enganada.
Um dia, ainda feliz serei.
Podes crer, eu me vingarei.
Quando você me procurar e sair da sua casa
disposto a me falar que só quer me amar.
Estarei te esperando com a mesma emoção,
olharei nos seus olhos e responderei: NÃO!
sexta-feira, 9 de julho de 2010

Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.
Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.
Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
Porque as coisas tem que ser assim?
Quando eu já me confundo com vc, e já nem sei mais quem sou...
Eu só lembro do que vale a pena lembrar...
Das estrelas, da noite... da primeira noite...
Do que eu e vc juntos juramos...
Do amor que era eterno,
Da música que um dia vc fez,
Dos sonhos que sonhamos,
Do relógio quebrado que fazia voar o tempo,
Do nosso cantinho,
Do nosso sonhado lustre brilhante,
Do carro,
Do filme que a gente chorou ao assistir...
Das vitórias,
Das madrugadas no ônibus que nos faziam encontrar,
Dos sonhos...
Das lágrimas a cada partida,
Dos sorrisos a cada chegada...
Da chuva no parque,
Dos tombos na grama,
Das milhares de fotos e milhares de palavras bonitas...
De tudo que parece não voltar mais...
De tudo o que mudou de repente...
Espero e acredito!!!
Espero um dia amar alguém;
muito mais do que amei você...
Espero um dia quando alguém me amar;
retribuir esse sentimento a altura...
Espero um dia quando me relacionar com alguém;
não culpar essa pessoa pelo seus erros...
Espero um dia encontrar alguém;
que me faça esquecer tudo que passei com você...
Espero que um dia eu possa encontrar alguém;
que apague da minha mémoria que um dia você existiu...
Espero e acredito que ainda vou encontrar essa pessoa q vai me fazer esquecer todo o mal que você me fez, é quando esse dia chegar vou poder olhar pra você, e não sentir nenhum tipo de sentimento no coração...
Vou ser muito feliz pode acreditar!!!
Hoje eu ainda sofro ,mas sei que esse sofrimento vai ser um aprendizado pra minha vida inteira...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.
Fernando Pessoa
